Filipe Nzau Ministro ‘amarra’ director do INARFilipe Nzau Ministro ‘amarra’ director do INAR

Depois de muita polémica à volta da disputa de liderança, protagonizada pela ala brasileira da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), liderada pelo bispo Alberto Segunda,que, com a ajuda dos ministros da Justiça e dos Direitos Humanos, e da Cultura, e de alguns membros do Comité Provincial do MPLA
de Luanda, quer puxar para si o dirigismo, a todo custo, novos desenvolvimentos surgem à volta deste assunto.
Como temos vindo a noticiar, desde o ano passado, sem colocar a nossa ‘foice em seara
alheia’, mas reportando declarações de fontes de ambas as partes e conhecedores deste ‘dossier’, as novas revelações dizem que o ministro da Cultura e Turismo, Filipe Zau, é o principal empecilho para o fim do conflito que opõe as duas partes, porque proibiu o director do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR), Adilson de Almeida, de atribuir a ‘Declaração de Idoneidade da Confissão Religiosa’, definitiva, à direcção da IURD-Angola, dirigida pelo bispo Valente Bezerra Luís, alegando cumprir supostas ordens superiores.
O documento em causa é que atesta o reconhecimento de uma congregação religiosa e
o seu respectivo líder, e a ala angolana é a única que possui este documento, e lhe foi passada legalmente no dia 27 de Maio de 2022, pelo próprio INAR, e assinado com o punho do
ex-director daquela instituição, Francisco Castro Maria, conferindo-lhe, deste modo, o esta

tuto de interlocutor válido junto das autoridades angolanas e estrangeiras, conforme atesta a cópia que tivemos acesso.

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Passados sete meses, a referida Declaração não foi renovada e a questão que se levanta, no seio do clero, é a de quem terá partido a ordem superior, já que “não tem rosto e nem cor “, questiona um funcionário do INAR, que acompanha o processo desde o surgimento da crise, que remonta a 2019. Sem solução
A mesma acrescenta que o ministro ‘amarrou’ o director do INAR, e este não pode tomar qualquer decisão sem anuência do titular da pasta, sob pena de incorrer num acto de insubordinação ao seu superior hierárquico, apesar do tempo que já se arrasta e que privou milhares de fiéis para frequentarem as igrejas e outros locais de culto da IURD.
Nos corredores do INAR, segundo a fonte, os especialistas em matéria de religião, entre teólogos, sociólogos, filósofos e antropólogos, questionam a atitude do ministro Filipe Zau, por privar milhares de pessoas de professar a sua fé, sob alegação do “ cumprimento de ordens superiores”.
Rosto visível Quando o Presidente da República, João Lourenço, tomou posse, em 2017, no seu primeiro discurso à Nação, dos vários aspectos abordados, no que concerne às ordens superiores, disse que “elas têm que ter rosto”, pelo que o ministro da Cultura, para o bem da verdade, citando a nossa fonte, “deve revelar quem deu a ordem superior, para impedir que o INAR reconheça definitivamente a direcção da igreja em Angola”.
Reforça que ao não revelar quem deu a ordem, Filipe Zau, que, além de ministro, é também académico de referência em Angola e em Portugal, onde viveu parte da sua vida, estaria a “colocar os seus créditos em mãos alheias” e perder a reputação como dirigente e professor universitário muito aplaudido.
Fracasso Como noticiamos na nossa edição passada,ainda na senda da batalha contra o bispo Valente Luís e o seu rebanho, a sua liderança foi colocada em risco pelo ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Marcy Lopes, quando tentou passar a titularidade da igreja ao bispo Alberto Segunda, depois da feitura de um documento denominado Acordo de Conciliação.
Este acordo, feito por iniciativa própria, tinha como objectivo ‘expropriar’ a liderança
a Luís Valente e passá-la ao bispo Segunda, representante em Angola do bispo Edir Macedo, mas não teve a receptividade desejada, por ter havido violação dos acordos de negociação.
O Acordo de Conciliação foi tendencioso por excluir os membros da IURD-Angola, diz a fonte, sobretudo o seu bispo, que não podia fazer parte do episcopado, colocando-o numa posição subalterna, em flagrante violação às negociações que vinham sendo feitas entre as partes.
Passados mais de 90 dias, o Acordo, assinado no dia 31 de Agosto, falhou por não ter podido reunificar as partes em conflitos, como se previa o jovem ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, dando assim razão a Bezerra para reassumir a liderança da IURD em Angola, de acordo com uma deliberação saída da uma última assembleia geral.
O Acordo de Conciliação, apontado como tendo sido uma “imposição do ministro Marcy Lopes” para tentar resolver definitivamente a crise de liderança, desuniu mais o rebanho do que propriamente congregar.

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