Superintendente prisional Mário Severiano Sapende Director da Comarca de Viana afastado por extorquir reclusosSuperintendente prisional Mário Severiano Sapende Director da Comarca de Viana afastado por extorquir reclusos

Superintendente prisional Mário Severiano Sapende Director da Comarca de Viana afastado por extorquir reclusos

O director titular do estabelecimento penitenciário masculino de Viana, superintendente prisional Mário Severiano Sapende, foi, no princípio do corrente ano, afastado das suas funções – pela direcção provincial do Serviço Penitenciário de Luanda –, por pesar contra si um “processo disciplinar” por conduta indecorosa, consubstanciada na extorsão de bens patrimoniais e valores monetários aos reclusos.
Segundo apurou o Imparcial Press, Mário Sapende foi suspenso do cargo que exercia após ter sido denunciado por um conhecido empresário que se encontrava – na altura – privado de liberdade naquele estabelecimento prisional.

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Superintendente prisional Mário Severiano Sapende Director da Comarca de Viana afastado por extorquir reclusos


Conforme as informações, o responsável liderava uma rede criminosa (que operava no interior da Comarca de Viana) que importunava os detentos e condenados – com uma certa condição social aceitável – a pagarem uma certa taxa, em bens e valores monetários, para não serem destratados feitos cães rafeiros.
Com longos anos de experiência nos Serviços Prisionais, o superintendente prisional Mário Sapende (e o seu elenco) vivia de “mixas” que percebia dos detentos e condenados da Comarca de Viana e quase que não tocava no seu “gordo” salário. Um dos membros do grupo (de extorquidores) que fazia a recolha das “mixas” era – ou ainda é – o agente de 3.ª classe Gaspar Congo.
“O então director da Comarca de Viana se servia do seu homem de confiança, o agente de 3 classe Gaspar Congo, que tinha a missão explícita de seleccionar e extorquir os detentos afortunados para que pudessem ser alojados no chamado Bloco Especial, o “BLOCO D”, explica a fonte do Imparcial Press.
Através do referido empresário – que esteve detido durante oito meses –, a rede criminosa conseguiu inicialmente obter “um aparelho de Ar Condicionado” e 200 mil kwanzas, a título de propina.
“Primeiro pediram um aparelho de AC, porque a sala não era climatizada, dei a pensar que era uma benfeitoria normal. Depois me chamaram novamente alegando que o director tinha questões pessoais a resolver e me pediram 200 mil kwanzas, orientei o meu pessoal para lhes fazer chegar, sem saber que afinal era a tal propina”, contou a nossa fonte.
Ao notar que a vítima estava de facto a cooperar, ou seja, a ceder os seus caprichos, o “Dono do Quintal”, como o director Mário Sapende fazia questão de ser tratado, orientou o seu elenco, já a título de chantagem, a pedir [ao detento empresário] uma casa T3, uma viatura e uma arca, caso contrário seria transferido para outro bloco.
Ao se aperceber que estava a ser vítima de extorsão pelo grupo liderado pelo suspenso director da Comarca de Viana, mesmo sob situação carcerária e vulnerável a represálias, o referido empresário – cujo nome omitimos propositadamente – resolveu denunciar junto a Inspecção da Direcção Provincial do Serviço Penitenciário e, consequentemente, abriu um processo-crime na Procuradoria Geral da República junto ao Serviço de Investigação Criminal/ Geral.
Sem mais delonga, a direcção provincial do Serviço Penitenciário de Luanda – liderada pelo comissário prisional Armindo José Manuel Moniz –, depois de averiguar os factos, emitiu o Despacho n.º 1 GAB.DIR/DPSP-LDA/2023, em obediência aos n.ºs 1 e 2 do artigo 54.º do Decreto Presidencial n.º 44/14, de 24 de Fevereiro, que suspende, preventivamente das suas funções, o superintendente prisional Mário Severiano Sapende, e abriu um processo disciplinar pela conduta inapropriada.
Ao seu lugar, o comissário prisional Armindo Moniz indicou o superintendente prisional Manuel da Conceição Cavanda Chandala, que até então era director adjunto para a Área Operativa do referido estabelecimento, para cumulativamente exercer o cargo de director da Comarca de Viana.
Enquanto isso, o processo-crime n°12944/2023.LDA-H contra o “Dono do Quintal” Mário Sapende segue os seus trâmites legais junto à Direcção Nacional do Combate à Corrupção, localizada no Kinaxixi, em Luanda, e está sob a responsabilidade do instrutor Kiafa Kumbi.

Fonte:Imparcial press

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